17 de Fevereiro de 2008

Chegou o fim e o novo início

Deixei Paris ontem pelo fim da tarde depois das últimas demarches administrativas, do quarto arrumado e de ter tirado as coisas do quarto do Pedro e metido no meu...
As despedidas custaram mais que muito. Tenho de agradecer aos meus amigos pela óptima festa de despedida e ao Bakari que nos deixou a todos (todas, na verdade) a chorar. Não vou falar de todas as pessoas que me marcaram... isso guardo para mim...
Não sei descrever os últimos meses em que fizemos dos companheiros de casa a nossa família, os nossos melhores amigos, as pessoas que nos ouviam depois de um dia bom ou de um dia mau. Paris marca, mas provavelmente todas as cidades marcam: não conheço ninguém que não o diga da cidade onde fez Erasmus. Paris marcou-me a mim. Como disse Hemingway (1950): "Se, na juventude, teve a sorte de viver na cidade de Paris, ela o acompanhará sempre até ao fim da sua vida, vá para onde for, porque Paris é uma festa móvel."
"Paris é imortal e as recordações das pessoas que lá vivem diferem de umas para as outras. Acabamos sempre por voltar, sejamos nós quem formos, ou mude Paris no que mudar, ou sejam quais forem as dificuldades ou facilidades que, ao regressarmos, se nos deparem. Paris vale sempre a pena, pois somos sempre compensados de tudo o que lhe tivermos dado. Mas Paris era assim nos velhos tempos em que nós éramos muito pobres e muito felizes."
(Paris é uma festa)

14 de Fevereiro de 2008

dois dias.

Limpei e arrumei o meu quarto na perfeição. Peguei na máquina fotográfica e tirei uma fotografia, várias, muitas fotografias.

Depois, puxei o caixote e a mala do armário e pus tudo que tenho dentro.

A minha vida toda: três caixotes, uma mala, uma mochila e o portátil.

13 de Fevereiro de 2008

Não tenho tido tempo

...para quase nada.
Tento despedir-me de Paris, ir aos sítios que mais gostei, aos que ainda não tinha visto muito bem. Fui com o Gonçalo ao Pompidou esta tarde. Não entendo arte contemporânea... eu juro que tento. Até já lá fui várias vezes, mas não faz mais sentido por isso. Hoje só vi o 4º piso, já tinha visitado o 5º.
Tenho a lua pendurada na minha janela em quarto crescente. O Pedro vai ficar com o meu quarto e fico muito feliz. Não vem ninguém estranho para aqui e vai ser mais fácil libertar-me deste espaço. E amanhã ele já começa com as mudanças.
Queria ir andar de barco no Sena...
Amanhã há festa de despedida no foyer: da Carolina, da Catarina, da Sofia, da Andreia, do Gonçalo e minha. O Zé Maria foi embora hoje. Segundo a empregada de limpeza vão embora 15 pessoas no dia 15. A Mariana, a Rita e o Simão vieram despedir-se porque partem amanhã para Estocolmo. E eu que sempre achei que é só uma despedida, fiquei triste por não os ver tão cedo, por não estar cá para partilhar os próximos meses.
Amanhã tenho de ir buscar o dinheiro ao banco. Burocracias francesas são do pior...

10 de Fevereiro de 2008

E chegam os dias do adeus

Acabei os exames na sexta à tarde. Tive 5 exames em menos de oito dias. O último começou às 11.45 e acabou já passava das três da tarde. Devolvi os livros na B-U (bibliothèque universitaire), troquei o cartão das fotocópias por 76 cêntimos e apanhei o RER A, espero, pela última (no máximo penúltima) vez. Já nem me lembro muito bem do que fiz a seguir. Ah, fui a Les Halles à Muji. Queria comprar mais canetas roxas e papel de origami. Já não havia nenhum dos dois, trouxe uma caneta azul e uma borracha preta. Estava cheia de fome e fui ao MacDo perto do Pompidou e almoçámos junto a uma fonte. Finalmente um mês e tal de estudo tinha acabado. Em Portugal o sentimento é diferente. Vamos fazendo exame a exame e vão passando devagarinho mas é mais um que fica feito. Aqui estamos na ansiedade do estudo, a tentar organizar o estudo para conseguir só rever a matéria toda em meia dúzia de horas e depois é a semana do tudo ou nada. Por isso, estava radiante. Fomos de Les Halles a Saint Michel a pé, parámos nas lojas (o Gonçalo comprou umas sapatilhas todas giras). Passei pela Gibert Jeune e comprei um poster de Plisson com uma fotografia panorâmica de Paris para o meu quarto em Portugal. Fomos à SFR cancelar a assinatura do telemóvel e despedimo-nos do Frank, o francês gerente da loja, que fala português, super simpático e que nos trata como se fossemos todos amigos de infância. Gostava de ter tirado uma fotografia com ele...

Viemos a casa pousar os sacos e fomos para a Marroquinerie, para ver o concerto dos Okkervil River.



(Vou só fazer a massa dos crepes e já volto*)
O concerto foi brutal. Estava a morrer de cansaço e de sono mas compensou tudo. A Marroquinerie é uma das salas mais importantes de Paris, mas fica no fim do mundo, numa das poucas ruas inclinadas da cidade (só conhecia Montmartre e a subida para a Sacré Coeur). Fora do centro, Paris já não é tão bonita, as pessoas têm aparência mais duvidosa. Chegámos às 19,40h mas o concerto começou com o atraso da praxe. A primeira banda foi Coming Soon. Segundo percebi, eram todos família, ao estilo da Kelly Family, mas alternativa/independente. O irmão mais novo não devia ter mais de 9 anos mas tinha um solo e cantava e tocava e fazia tudo. A música era em inglês mas a Rita falou com eles no final e eram franceses (perto de Grenoble), voilà. Depois foi a vez de Michael J Sherry, uma verdadeira porcaria. Dois carecas e duas loiraças. Finalmente, Okkervil River. Aposto que o Gonçalo e a Rita vão fazer uma crítica genial ao concerto, por isso só digo que adorei. Ah, o Gonçalo pôs um filme no blog com uma música, se quiserem ver. À saída do concerto encontrei 10€ no chão!

Sábado acordei tarde para pôr o sono em dia. Fui ao Marché aux Puces mas agora à parte de antiguidades e vi coisas muito giras. A lojinha mais gira era uma que vendia só porta-chaves antigos de todos os feitios e mais alguns. Tudo que possa imaginar.

Depois fomos a Saint Michel, a Saint Germain de Près e subi ao Arco do Triunfo. Não levei a máquina mas quando me derem as fotos, mostro. Acabei a tarde a passear nos Champs Elysées. À noite foi a festa de despedida da Maria, do Pedro e do Duarte. Não gosto de ver as pessoas ir embora. Custa imenso. Nunca mais será a mesma coisa... Eles também estudam na Católica, mas vê-los nos corredores ou no bar, ou mesmo no Porto, vai ser muito diferente. As pessoas que conhecemos aqui deviam ficar cá, para voltarmos quando quiséssemos e as memórias ficarem inalteradas. Mas a festa foi super divertida! Estava toda a gente feliz (porque os exames acabaram e porque era uma festa). A noite acabou em lágrimas de despedida... é sinal que se criaram laços...







Hoje fui a Montmatre, rever a Place du Tertre, ver Paris do lado Norte, ver a Sacré-Coeur. Na Place du Tertre, onde se reunem retratistas, pintores e caricaturistas, hoje estava um senhor asiático (talvez chinês) que recortava o perfil das pessoas em papel de lustro, cerca de 12cmx7cm, com uma perfeição estonteante. Em cada 5 min que lhe demorava a fazer o perfil da pessoa que se sentava na cadeira, ele traçava-lhe a cara, recortava ao pormenor os brincos, as pestanas. Incrível. Nunca pensei que se pudesse fazer aquilo com uma tesoura. À sua volta ouviam-se todo o tipo de exclamações, em todas as línguas. E palmas.



Descemos a colina pelo funicular e fomos ao Canal de Saint Martin. Vi a Gare de l'Est: é bonita.









Voltámos para casa, fiz crepes e scones, com a ajuda da Mariana, do Gonçalo e da Andreia. Descobri que a Kristine, alemã, não fazia ideia do que eram scones e perguntava, admirada, se era um gâteau portugais. Comi imenso e sinto-me cheia. Mesmo a precisar de correr. Ora, segundo directrizes médicas, não posso fazer esforço físico nos próximos (e longos) 5 meses. Até me rio. Nos próximos dias vou fazer a maratona turística, como se não existisse amanhã em Paris.

5 de Fevereiro de 2008

check

Fiz hoje mais um exame mas ainda me esperam mais dois até sexta-feira... Para descansar fomos dar uma volta aos Champs Elysées e comer um crepe avec Nutella - mesmo a chuva, depois de muito stress, não incomoda. Nadinha.
(sem fotos, por enquanto).

3 de Fevereiro de 2008

estou sempre com fome

Acabei de me empanturrar em baguette.

estou no quarto

e só vejo pessoas a correr no parque.
Está calor cá dentro mas muito frio lá fora.
Não tenho pão por isso comi bolachas de água e sal e bolachas Maria Torrada ao pequeno-almoço.
Logo vamos a um jantar português na casa do Brasil (parece que os brasileiros estão muito ansiosos pelo queijo da Serra, bolinhos de bacalhau e pelas alheiras, chouriços e afins). Dado o meu estado histérico com a antecipação dos exames, a minha única contribuição vai ser bolacha Maria.
Até logo*

2 de Fevereiro de 2008

contagem decrescente

Mal posso esperar pelo fim dos exames. Só espero ainda ter força para ir ao concerto. :)

Não nevou mas...

houve casório no Eliseu.

1 de Fevereiro de 2008

neve neve.

Parece que hoje à noite vai nevar. A segunda janela do meu quarto está em condensação. Oh, queria tanto ver neve em Paris antes de ir embora...

exames

Comecei os exames na 4ª feira. À boa moda francesa, os exames são todos concentrados. Tive Droit de l'Environnement na 4ª, Institutions Britaniques hoje, Droit de la Secu na próxima 3ª, Droit International Economique na 5ª e Contrats en Droit Anglais na 6ª.
3 orais, 2 escritos.
O saldo é positivo, tirando o sono. Hoje não consegui adormecer antes das 5h da manhã... e o exame começou às 8,15h. Estou morta de sono e tenho de começar a estudar para o próximo. A parte gira é que sinto que aprendi imenso (em comparação com os exames em Portugal: com a avaliação contínua e o facto de ser tudo em Português, sentia que já tinha visto aquilo). Aprendi imenso Francês jurídico: sou capaz de estar 5 min a pensar como se diz faca (diz-se couteau), mas consigo explicar Convenções internacionais ambientais...
Entretanto continua a maratona na Biblioteca da Cité, perdi um aniversário ontem, hoje vou à festa de despedida na Maison, amanhã Carnaval na Casa do Brasil.
Ai, estou com sono. Até logo!

27 de Janeiro de 2008

resumé

No último fim-de-semana estive sem net no quarto. Estranho é que dos 160 quartos alguns tinham net e o problema parecia agravar-se com a altitude. Mas com menos distracção foi mais fácil estudar. Resumindo a semana que passou: fui à missa na Notre Dame, fui jantar ao Japonês e depois passeei pelo Quartier Latin (Domingo), fui aos saldos e estudei muito. Passei o dia enfiada na biblioteca da Cité, tendo almoçado todos os dias no resto-U.



















Ontem à noite depois de chegar da biblioteca, tivemos uma óptima surpresa na cozinha do 4º piso. O rapaz tailandês (Thai) comemorou o aniversário (ninguém lhe dava mais que 28 anos, mas os tailandeses conservam-se muito: fez 39 anos!) e fez-nos riz cantonnais (vulgo arroz xau xau) e crepes tailandeses com pâtes de riz. Uma delícia. Comi tanto que depois já não tive grande apetite para ir ao jantar senegalês que o Bakari preparou para os residentes todos (para os leitores mais desatentos, o Bakari é segurança cá na Maison e é muito muito simpático, é um querido). Trouxe couscous de peixe e sobremesa (parecia um iogurte misturado com salada de fruta). O couscous é considerado tipicamente francês, mas é, na verdade, de origem senegalesa. Os residentes da Nova Caledónia cantaram e tocaram, a Andreia cantou fado.











Para quem não tinha hoje que estudar, ainda houve festa na Maison da Norvège. Mas para mim não... a minha festa vai ser na biblioteca a tarde toda.

26 de Janeiro de 2008

sem ligação ao mundo

Ficámos sem net em casa no fim-de-semana que passou (acho que, na verdade, até segunda-feira). Entretanto fui jantar ao Japonês. Gostei. Fiquei fã das entradas.
Desde segunda-feira encontro-me em longas sessões de estudo na biblioteca da CIUP a uma média de 10h/dia. Hoje quase bati nas onze horas. Estou cansada e quero ver se arejo amanhã. Mal tenha um tempo mais calmo actualizo com fotos e mais novidades.
PS: o bom de fazer anos à distância é que continuo a receber prendas ao fim deste tempo todo... :)

16 de Janeiro de 2008

Cité em época de estudo














Estudo na Bilioteca da Cité e Resto-U da Cité

últimos dias

No Sábado fiz anos. Confesso que todas as expectativas que eu podia ter foram superadas. Acordei às 10h da manhã com uns murros na porta intimidantes. Abri, um senhor repetia um nome que não havia forma de entender, olhei para a encomenda e percebi que ele tentava dizer Jorge. Se eu era a Mademoiselle Jorge. Mandou-me assinar, entregou uma grande caixa magenta e disse: «Attention! Ce sont des fleurs!». Abri e tinha imensas rosas cor-de-rosa com um postal dos meus pais e do meu irmão. Claro que fiquei super excitada com o acontecimento, já nem voltei para a cama; fui antes tomar o pequeno-almoço e tratar das rosas seguindo as instruções (rosas francesas são outra loiça). Saí de casa pela primeira vez em três dias e aproveitei o sol no Parque de Montsouris, mesmo ao lado do parque da Cité. É um parque com mais de 200 anos, com lago, patos, póneis para as crianças, baloiços, carrosséis e muitos bancos onde se disfruta da paisagem e do sol de Inverno.






Vi uma senhora a passear quatro cães e um esquilo com trela vermelha. A situação mais ternurenta que possam imaginar. A senhora tirou o esquilo do carapuço e po-lo na relva. Como o esquilo tem perninhas mais pequeninas e está a explorar a relva os cães ficam a olhar para ele e sentam-se pacientemente à sua espera... depois o esquilo sob à árvore e os cães, a senhora, eu e todos o que passavam ficaram a admirar o esquilo de cabeça para baixo pendurado na árvore. Depois de algum tempo a subir e a descer da árvore, a senhora faz-lhe coceguinhas no narizinho cor-de-rosa e mete-o no seu carapuço outra vez. O esquilo radiante põe a cabeça de fora e vai a apreciar a paisagem.










Depois voltei para casa com o Gonçalo e almoçamos iscas (estou a poupar o bacalhau que trouxe! - só para dias importantes). Ao fim da tarde fomos ao Geant comprar as coisas para o jantar de anos cá em casa. Chegámos atrasados a casa e o Gonçalo fez o delicioso-maravilhoso-melhor-bolo-de-chocolate-e-arredores que já comi. E ainda tratou do jantar para 20 pessoas. :D A Andreia e a Susana fizeram pastel de nata e serradura e a Marie fez tarte de maçã. Foi óptimo, foi divertido! Recebi coisas giríssimas! Adorei... foi óptimo! E acabámos a noite a dançar no foyer.







15 de Janeiro de 2008

Paris, Paris

Chove sem parar. Não que seja uma chuva a sério como aquelas do Porto... mas é bom, lembra casa. Entretanto fiz anos e adorei. Também estou melhor das minhas maleitas. Tenho tirado «fotografias para mais tarde recordar». Estou em época de estudo e fui estudar para a biblioteca da Cité (que é linda! e tem os livros todos actualizados!). Se há coisa que eu gosto nestes franceses é a antecipação. Em Outubro de 2007 já todas as bibliotecas públicas têm dezenas de códigos de 2008. Para quem conhece a biblioteca da Católica compreende a ironia. Escrevi postais mas com a chuva não sei quando vou aos correios. Também começa a ser altura de voltar ao supermercado para encher o frigorífico. Hoje à noite combinamos um momento de descontração: vamos ver o filme "A vida dos outros". Já vi, recomendo e acho que é o filme da minha vida. Mas como diz o Gonçalo, só na hora da morte vou poder afirmar convictamente isso. Ontem fui ao Starbucks e comi um demi cuit de chocolat delicioso com um chocolat classic viennois.
Falta um mês. E queria que faltasse um ano.

11 de Janeiro de 2008

20 min...

para a próxima dose de paracetamol. :)

festa do novo ano








Bakari: o segurança mais fixe de sempre







raios

Não consigo dormir com as dores, não posso tomar mais paracetamol sob pena de intoxicação. O pouco que dormi não serviu para muito porque acho que a festa lá em baixo durou até tarde e às três e tal da manhã ouviu-se bastante bem nos quartos. Fiz chá e vim ler os mails e actualizar o blog a esta hora da manhã. Quão deprimente é a minha vida? Nunca tinha reparado que a esta hora o sol ainda não nasceu em Paris...

10 de Janeiro de 2008

abriu a época de caça


Estamos todos num estado Bambi apavorado. É só reparar nas caras desesperadas que passeiam pela casa... a vantagem é que os métodos pedagógicos franceses concentram tudo numa semana, às vezes vários exames ao dia.

9 de Janeiro de 2008

prognóstico

Continuo em casa, com mais pintinhas, mas saí para comprar uma baguette. Estes progressos rapidamente se reflectiram. Estou com dores de garganta. Amanhã acho que vou tentar um excursão ao minisupermercado e faço uma reportagem fotográfica, já que não há nada mais interessante na minha vida. Às vezes ainda vou dando uma vista de olhos aos jogos de futebol dos miúdos aqui em frente, admiro a motivação dos pequenos que correm em qualquer, e mesmo qualquer, condição climatérica. Hoje saíram todos cheiinhos de lama, tipo publicidade Skip.

8 de Janeiro de 2008

Cara de Pikachu na festa do Couloir (Maison da Alemanha)


Museu d'Orsay


Museu d'Orsay