E chegam os dias do adeus
Acabei os exames na sexta à tarde. Tive 5 exames em menos de oito dias. O último começou às 11.45 e acabou já passava das três da tarde. Devolvi os livros na B-U (bibliothèque universitaire), troquei o cartão das fotocópias por 76 cêntimos e apanhei o RER A, espero, pela última (no máximo penúltima) vez. Já nem me lembro muito bem do que fiz a seguir. Ah, fui a Les Halles à Muji. Queria comprar mais canetas roxas e papel de origami. Já não havia nenhum dos dois, trouxe uma caneta azul e uma borracha preta. Estava cheia de fome e fui ao MacDo perto do Pompidou e almoçámos junto a uma fonte. Finalmente um mês e tal de estudo tinha acabado. Em Portugal o sentimento é diferente. Vamos fazendo exame a exame e vão passando devagarinho mas é mais um que fica feito. Aqui estamos na ansiedade do estudo, a tentar organizar o estudo para conseguir só rever a matéria toda em meia dúzia de horas e depois é a semana do tudo ou nada. Por isso, estava radiante. Fomos de Les Halles a Saint Michel a pé, parámos nas lojas (o Gonçalo comprou umas sapatilhas todas giras). Passei pela Gibert Jeune e comprei um poster de Plisson com uma fotografia panorâmica de Paris para o meu quarto em Portugal. Fomos à SFR cancelar a assinatura do telemóvel e despedimo-nos do Frank, o francês gerente da loja, que fala português, super simpático e que nos trata como se fossemos todos amigos de infância. Gostava de ter tirado uma fotografia com ele...
Viemos a casa pousar os sacos e fomos para a Marroquinerie, para ver o concerto dos Okkervil River.
(Vou só fazer a massa dos crepes e já volto*)
O concerto foi brutal. Estava a morrer de cansaço e de sono mas compensou tudo. A Marroquinerie é uma das salas mais importantes de Paris, mas fica no fim do mundo, numa das poucas ruas inclinadas da cidade (só conhecia Montmartre e a subida para a Sacré Coeur). Fora do centro, Paris já não é tão bonita, as pessoas têm aparência mais duvidosa. Chegámos às 19,40h mas o concerto começou com o atraso da praxe. A primeira banda foi Coming Soon. Segundo percebi, eram todos família, ao estilo da Kelly Family, mas alternativa/independente. O irmão mais novo não devia ter mais de 9 anos mas tinha um solo e cantava e tocava e fazia tudo. A música era em inglês mas a Rita falou com eles no final e eram franceses (perto de Grenoble), voilà. Depois foi a vez de Michael J Sherry, uma verdadeira porcaria. Dois carecas e duas loiraças. Finalmente, Okkervil River. Aposto que o Gonçalo e a Rita vão fazer uma crítica genial ao concerto, por isso só digo que adorei. Ah, o Gonçalo pôs um filme no blog com uma música, se quiserem ver. À saída do concerto encontrei 10€ no chão!
Sábado acordei tarde para pôr o sono em dia. Fui ao Marché aux Puces mas agora à parte de antiguidades e vi coisas muito giras. A lojinha mais gira era uma que vendia só porta-chaves antigos de todos os feitios e mais alguns. Tudo que possa imaginar.
Depois fomos a Saint Michel, a Saint Germain de Près e subi ao Arco do Triunfo. Não levei a máquina mas quando me derem as fotos, mostro. Acabei a tarde a passear nos Champs Elysées. À noite foi a festa de despedida da Maria, do Pedro e do Duarte. Não gosto de ver as pessoas ir embora. Custa imenso. Nunca mais será a mesma coisa... Eles também estudam na Católica, mas vê-los nos corredores ou no bar, ou mesmo no Porto, vai ser muito diferente. As pessoas que conhecemos aqui deviam ficar cá, para voltarmos quando quiséssemos e as memórias ficarem inalteradas. Mas a festa foi super divertida! Estava toda a gente feliz (porque os exames acabaram e porque era uma festa). A noite acabou em lágrimas de despedida... é sinal que se criaram laços...
Hoje fui a Montmatre, rever a Place du Tertre, ver Paris do lado Norte, ver a Sacré-Coeur. Na Place du Tertre, onde se reunem retratistas, pintores e caricaturistas, hoje estava um senhor asiático (talvez chinês) que recortava o perfil das pessoas em papel de lustro, cerca de 12cmx7cm, com uma perfeição estonteante. Em cada 5 min que lhe demorava a fazer o perfil da pessoa que se sentava na cadeira, ele traçava-lhe a cara, recortava ao pormenor os brincos, as pestanas. Incrível. Nunca pensei que se pudesse fazer aquilo com uma tesoura. À sua volta ouviam-se todo o tipo de exclamações, em todas as línguas. E palmas.
Descemos a colina pelo funicular e fomos ao Canal de Saint Martin. Vi a Gare de l'Est: é bonita.
Voltámos para casa, fiz crepes e scones, com a ajuda da Mariana, do Gonçalo e da Andreia. Descobri que a Kristine, alemã, não fazia ideia do que eram scones e perguntava, admirada, se era um gâteau portugais. Comi imenso e sinto-me cheia. Mesmo a precisar de correr. Ora, segundo directrizes médicas, não posso fazer esforço físico nos próximos (e longos) 5 meses. Até me rio. Nos próximos dias vou fazer a maratona turística, como se não existisse amanhã em Paris.

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